'Brasil precisa de um novo modelo de educação', diz Pochmann


Professor da Unicamp falou em palestra no
Sindicato dos Engenheiros em São Paulo

Para presidente da Fundação Perseu Abramo, sistema brasileiro se baseia em visão de sociedade urbano-industrial em declínio


O presidente da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann, disse hoje (24) que o Brasil precisa repensar seu modelo de educação. Segundo ele, com o declínio da participação da indústria no mercado de trabalho e o avanço do setor de serviços, impulsionado pelo desenvolvimento incessante de novas tecnologias, a educação tal como existe tornou-se obsoleta. A declaração foi feita na palestra “As profissões e as perspectivas do trabalho”, promovida pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Liberais Universitários Regulamentados (CNTU), no Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo.

“Há hoje uma outra organização social. A indústria tende a ocupar cada vez menos mão de obra. Antes as pessoas exerciam a carreira na sociedade urbano-industrial por 30, 35 anos. Isso não é mais verdade”, afirmou. Para Pochmann, “os jovens hoje se identificam com várias experiências até se definir por uma carreira, sem necessariamente precisar de carteira assinada”.

O mercado de trabalho do jovem do início do século 21 "é de serviços, imaterial, que não gera algo palpável". Segundo Pochmann, a interação com esse mercado exige cada vez mais conhecimento, pois é associado a tecnologias de informação.

Nessa conjuntura, o modelo de sociedade obrigará a se pensar um modelo de universidade que permita aos cidadãos continuar estudando ao longo da vida.

“Nosso modelo de ensino superior é organizado de acordo com o passado, numa época em que a sociedade era baseada em uma organização urbano-industrial”. Outro problema do modelo atual é que o jovem se depara, fora da escola ou faculdade, com um universo de conhecimento, principalmente tecnológico, que a sala de aula não oferece. "Como fazer da educação algo atrativo e estimulante? É preciso repensar especialmente uma visão de educação que não seja só para o trabalho", apontou.

A maneira pela qual as profissões são encaradas no modelo social atual, que privilegia a especialização, também se torna rapidamente ultrapassada. “Estamos no reino das especializações. O especialista sabe cada vez mais de menos, ou de coisa nenhuma. Não sou contra especialização. Mas é preciso ter uma visão mais holística, do todo”, disse Pochmann. “Não podemos chegar a uma situação em que um médico só entenda do olho direito”, brincou.’
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About Antonio Ferreira Nogueira Jr.

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