Alckmin não vê truculência da PM e diz que vai apurar 'excesso pontual'


Governador de São Paulo afirma que polícia agiu para 'garantir direito de ir e vir' da população, ignorando que manifestantes foram presos antes do início do ato

Nicolau Soares, RBA

As centenas de depoimentos e imagens relatando a repressão da Polícia Militar ao ato de ontem (13) pela redução das tarifas do transporte público em São Paulo, que terminou com pelo menos uma centena de feridos, não foram suficientes para convencer o governador Geraldo Alckmin (PSDB) da truculência e do autoritarismo das tropas comandadas por ele contra os manifestantes.

“A polícia estava trabalhando. Se houve excesso pontual, será apurado”, disse Alckmin hoje de manhã (14) aos jornalistas, após cerimônia no Palácio dos Bandeirantes em que celebrou convênios da Operação Delegada com mais seis municípios.

Ele voltou a acusar os manifestantes de “vandalismo”, afirmando que o movimento tem caráter violento e motivações políticas. O governador não esclareceu, porém, quais seriam essas motivações.

“A polícia tem trabalhado para garantir o direito de ir e vir das pessoas. A polícia atua até para proteger os próprios manifestantes”, afirmou Alckmin, aparentemente desinformado sobre os episódios de ontem, quando mais de 40 pessoas foram detidas antes mesmo de chegar ao local da manifestação, algumas pelo crime de estarem portando vinagre – líquido usado para reduzir os efeitos das bombas de gás lacrimogêneo.

O secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, repetiu o governador e defendeu a atuação da Polícia Militar na repressão. Em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, ao lado do comandante-geral da PM, coronel Benedito Roberto Meira, e do comandante da polícia na região central, coronel Reinaldo Simões Rossi, Grella afirmou que a violência é uma resposta à ação dos manifestantes e que todas as situações denunciadas serão objeto de investigação. Disse que a ação deveu-se também à mudança de roteiro pré-estabelecido entre a organização e a PM.

“A PM atuou para cumprir sua função, de manter o direito legítimo de manifestação e, paralelamente, reprimir atos de violência. Foi o que procurou cumprir, mas houve atos que se desviaram”, afirmou. “Não toleramos violência de lado a lado.Todas as situações serão objeto de investigação”, afirmou.

O secretário afirmou que não houve ordem para agredir “jornalistas ou quem quer que seja” e não considerou, no entanto, uma punição aos oficiais responsáveis pela ação, limitando as investigações a “aspectos pontuais”. “A polícia teve que fazer o que fez para evitar mais vandalismo. Apreendemos objetos que são para isso, como martelos, coquetéis molotov. Fica claro que havia pessoas que pensavam em se aproveitar do ato para violência”, justificou.”
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