Promotor de SP que pediu para a PM atirar em ativista responderá por incitação à violência


A postagem do promotor no Facebook,
que depois foi apagada por ele

Pelo Facebook, Rogério Zagallo prometeu arquivar eventuais processos contra a policiais que matassem manifestantes que protestavam contra o aumento das passagens de ônibus em São Paulo

Gisele Brito,  RBA

A Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) abriu hoje (10) à tarde investigação contra o promotor de justiça Rogério Leão Zagallo, de São Paulo, por incitação à violência. Mais cedo, o MP local, também via corregedoria, já havia aberto procedimento similar. O motivo foram os ataques públicos do promotor ao movimento que pede redução das tarifas de ônibus e metrô na cidade.

No caso do CNMP, a ação foi aberta pelo corregedor Jeferson Coelho. O promotor tem dez dias para apresentar defesa.

Na última sexta-feira (7), Zagallo se queixou pelas redes sociais da demora para conseguir chegar em casa, devido aos atos de protesto do Movimento Passe Livre (MPL). Uma marcha com cerca de 5 mil pessoas fechou a marginal do rio Pinheiros por alguns minutos e outras vias importantes da capital paulista, causando lentidão no trânsito. 

Pelo Facebook, o promotor chamou os ativistas de "bugios" e incitou: “Por favor, alguém poderia avisar a Tropa de Choque que essa região faz parte do meu Tribunal do Júri e que se eles matarem esses filhos da puta eu arquivarei o inquérito policial?”.

Na mesma mensagem, que foi apagada depois de severas críticas, Zagallo dá a entender que sente saudade da ditadura. “Petista de merda. Filhos da Puta. Vão fazer protesto na puta que os pariu... Que saudade da época em que esse tipo de coisa era resolvida com borrachada nas costas dos merdas..."

Essa não é a primeira vez que o promotor dá seu aval a atos violentos, especialmente da polícia. Em 2011, ele argumentou que “bandido que dá tiro para matar tem que tomar tiro para morrer” em um pedido de arquivamento de processo contra um policial acusado de matar uma pessoa. Atualmente, um outro procedimento tramita na Corregedoria Nacional por falta "urbanidade" em um tribunal do Júri.

Ontem, Zagallo publicou uma nota de esclarecimento em sua rede social, afirmando que se manifestou como cidadão e que “qualquer pessoa minimamente dotada de boa-fé perceberia que aquilo jamais poderia representar a verdade ou caracterizar minha forma de atuar como Promotor de Justiça". Ele justifica o “desabafo” em função de ter compromissos com o filho.”
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