Frei Betto: hoje, a maioria dos partidos nega a democracia


Para Frei Betto, as lideranças políticas
estão confusas ao analisar as recentes
manifestações de rua / Alexandre Campbell/CC

O escritor avalia que o povo agora quer mais do que as conquistas de dez anos de governo do PT

Redação, RBA

O assessor de movimentos sociais e escritor Frei Betto afirmou hoje (8), em seu comentário semanal na Rádio Brasil Atual, que o recado enviado pelas manifestações ocorridas no Brasil no último mês é claro: democracia participativa. Para ele, o povo “exige novos mecanismos de participação democrática, enquanto manifesta sua descrença nos atuais partidos”. Frei Betto acredita que os acontecimentos devem levar os partidos a renovar seus métodos políticos e respeitar “ou serão atropelados pela sociedade civil”.

Frei Betto considera que as siglas devem avaliar sua conduta enquanto governo. “O recado das ruas é simples. Nossos governos se deslocaram da base social. Hoje, a maioria dos partidos nega a democracia ao impedir um governo do povo com o povo. Não basta querer governar para o povo e assim considerar-se democrata”, avalia, acrescentando que "a categoria política se divorciou da sociedade civil". Para ele, é preciso pensar em novas formas para o sistema democrático e não se deve acreditar que um modelo político possa ser perpétuo.

“Essas mobilizações fundem a cuca de analistas e cientistas políticos”, analisa Frei Betto, que vê perplexidade na reação das lideranças políticas tradicionais ao observarem as mobilizações sem conseguir determinar quem as coordena. “Todas as lideranças políticas encaram confusas as recentes manifestações de rua. Com a mesma interrogação invejosa com que a esquerda histórica no Brasil encarou o surgimento do PT, em 1980. Que história é essa de agora os proletários quererem ser a vanguarda do proletariado?”

Ele faz uma comparação com outros momentos históricos, em que as vanguardas ficaram de fora da organização das manifestações e realizações populares. “Com essa mesma perplexidade, Karl Marx encarou a comuna de Paris em 1871. A esquerda francesa viu o Maio de 1968. E a esquerda mundial, a queda do Muro de Berlim e da União Soviética, em 1989. Já dizia São Tomás de Aquino: 'A vida extrapola o conceito'.”

Frei Betto pondera que o momento é de a população reivindicar mais que as melhoras dos últimos anos. “Embora dez anos de governo petista tenham melhorado as condições econômicas e sociais do Brasil, o povo não viu saciada sua fome de beleza, ou seja, educação, cultura, saúde e participação política”, disse.”
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