A resposta de um professor a uma jornalista racista


Wilson Gomes, professor da Universidade Federal da Bahia, respondeu Micheline Borges, que disse, em seu Facebook, que médicas cubanas têm cara de empregadas domésticas. "Pergunte-se, além disso, qual é a magia que fizeram em Cuba para que tantos que bem poderiam ser suas empregadas domésticas sejam hoje médicas que embarcaram para este país, de saúde pública de terceira, a fim de ajudar pessoas de todas as cores que não são ajudadas pelas alvas michelines que moram ao lado", diz ele; confira a íntegra da carta


Por Wilson Gomes, professor da Universidade Federal da Bahia

Sim, Micheline Borges, as médicas cubanas, de fato, parecem-se com as suas empregadas domésticas. Eu também me pareço com a sua faxineira e a sua cozinheira. E, se me permite a comparação, Barack Obama também é cara dos garçons dos restaurantes que você deve frequentar, dos vendedores de coco na praia, da maioria dos presidiários brasileiros, dos desempregados e subempregados do país.

Feita esta constatação certeira, seria legal se você se perguntasse por que é uma ilha de loiridão e alvura cercada de tantos pretos pobres por todos os lados. Será determinação do destino que estabelece que as pessoas não-brancas tenham que se tornar empregadas domésticas de michelines? Será prescrição do Oráculo de Apolo que pessoas com cara de micheline sejam jornalistas casadas com engenheiros?

Pergunte-se, além disso, qual é a magia que fizeram em Cuba para que tantos que bem poderiam ser suas empregadas domésticas sejam hoje médicas que embarcaram para este país, de saúde pública de terceira, a fim de ajudar pessoas de todas as cores que não são ajudadas pelas alvas michelines que moram ao lado.

Não, Micheline, eu não diria “coitada da nossa população” de pessoas com cara de empregadas domésticas porque serão atendidas por médicos com a mesma cara delas. Eu tenho pena é do coitado deste país, açoitado pela mentalidade-micheline, que resolve que o lugar de pessoas com cara de empregadas doméstica é na cozinha das suas casas, fazendo a limpeza ou picando cenoura para o jantar. Na falta de uma boa e velha senzala…”
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2 comentários:

Denilson disse...

Legal. Entendi do ponto de vista de quê se trata de preconceito, mas eu quero que eles sejam mesmo médico capacitados,e que recebam de fato pelo trabalho que vierem a realizar aqui. Sem teoria da conspiração, espero que não enviem o dinheiro para Cuba, algo na cifra de 1.300.000,00, depois do período que passarem aqui, e o governo brasileiro receba pelo menos a metade de volta para financiar suas campanhas à presidência. No "inferno" a única coisa razoável é a bosta do capitalismo, o resto deixa lá no inferno.

Ronaldo Bruno Wendling disse...

Essa Micheline é do tipo que só deu durante toda a faculdade. É mais um exemplo vivo de nosso sistema de saúde "falho".