Veja e Globo inflaram mentira de Eike a incautos


Manchete principal da Folha deste domingo revela que, em 2012, Eike Batista divulgava a seus acionistas que poderia retirar 1,8 bilhão de barris de seus poços de petróleo já ciente de que o volume máximo não seria superior a 315 milhões; naquele mesmo ano, dois jornalistas, os colunistas Lauro Jardim, de Veja, e Ancelmo Gois, do Globo, inflavam a fantasia; Lauro dizia até que o petróleo de Eike viria de águas rasas, sendo moleza para extrair; Ancelmo adulava o então bilionário, a quem chama de "Eike Sempre Ele Batista", todos os dias; também em 2012, Veja publicou a famosa capa "Eike Xiaoping", quando melhor seria Eike Xingling


Eike Batista mentiu a seus investidores. De acordo com reportagem principal da Folha de S. Paulo deste domingo (leia aqui), declarou ao mercado que poderia extrair 1,8 bilhão de barris dos seus poços de petróleo, quando auditorias internas da OGX já indicavam que o volume máximo seria de, no máximo, 315 milhões de barris – e ainda assim com riscos geológicos tremendos, dada a distância e a profundidade dos poços.

Divulgar informações falsas ao mercado de capitais é crime. Em países desenvolvidos, gera implicações criminais, podendo levar os responsáveis, inclusive, à prisão. Especialmente porque esse tipo de fraude é capaz de arruinar famílias. As ações de Eike, que chegaram a ser negociadas a mais de 20 reais, na semana passada eram cotadas a 13 centavos.

Eike, no entanto, não estava sozinho. Em sua saga empresarial, ele contou com dois aliados de peso na mídia. Nada menos que os principais colunistas do Rio de Janeiro: Lauro Jardim, de Veja, e Ancelmo Gois, do Globo. Ambos ajudaram a amplificar a fantasia do empresário.

Em janeiro de 2012, Lauro Jardim publicou uma nota que falava em 2 bilhões de barris e dizia até que o petróleo estava nas águas rasas de Paraty – ou seja, seria moleza extrai-lo. Leia abaixo:

Eike: 2 bilhões de motivos para sorrir
A OGX, de Eike Batista, comunicou há pouco à CVM a descoberta de óleo na Bacia de Santos. São, e isso não consta do comunicado,  reservas equivalentes a 2 bilhões de barris de petróleo, de acordo com o que ele disse à Dilma Rousseff ontem.

É um volume capaz de fazer muito barulho no mundo do petróleo. Para que se possa comparar, as reservas estimadas no pré-sal são de 5 bilhões de barris.
A diferença é que o óleo descoberto nos poços de Eike Batista estão em águas rasas, tanto em área do pré quanto do pós-sal. O custo de produção, portanto, será mais baixo do que se fosse em águas profundas.
A descoberta deu-se a 102 quilômetros da costa. Numa linha reta, situa-se a 80 quilômetros de Paraty.

Uma coincidência destinada a entrar para o folclore do homem mais rico do Brasil. De acordo com o relato que fez ontem para Dilma Rousseff, quando lhe contou sobre a descoberta, Eike afirmou que a descoberta foi feita na 63ª tentativa – 63 é o número da sorte do supersticioso empresário.
Na conversa, Eike comparou a aventura do Brasil no pré-sal à corrida espacial empreendida pelos EUA nos 60:

- John Kennedy queria ir à lua. Parecia impossível, mas os EUA conseguiram. Com o pré-sal é a mesma coisa.

Enquanto isso, Ancelmo Gois inflava o personagem, a quem chama de "Eike Sempre Ele Batista", e prometia mais: 3 bilhões de barris. Leia abaixo uma nota de 16 de janeiro de 2012:

PetroEike

Eike Sempre Ele Batista achou petróleo a apenas 130 km da costa de Parati em águas rasas. A primeira estimativa é que só nesse campo da OGX possa haver 3 bilhões de barris de óleo leve.

Dilma e Lobão já foram comunicados.

Naquele janeiro de 2012, Veja publicou ainda a famosa capa "Eike Xiaoping", com direito até a editorial do diretor de Redação, Eurípedes Alcântara.
Melhor teria sido "Eike Xingling".
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Revista- WMB

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