País com rumo é país com destino

Fernando Brito, Tijolaço

"Quando se desmente aqui, todos os dias, a armação catastrofista que se monta para a economia brasileira, não se está, como sempre acentuamos, dizendo que é ótima situação de nossa economia ou que a política econômica é a mais correta.

Mas a crítica que se faz à economia brasileira, quase toda ela, parte do olhar “mercadista”, que ataca seus pontos positivos e faz toda a forçado mundo para nos empurrar a políticas recessivas, quase uma onipresença na vida brasileira.

Pois é justamente o medo de romper decididamente com políticas assim que tem sido o, chamemos assim, “limitador de velocidade” do crescimento brasileiro.

O economista João Sicsú, da UFRJ, e um dos principais colaboradores de Márcio Pochmann no Ipea durante o segundo governo Lula, é uma das vozes que faltam – como o é o próprio Pochmann – no debate econômico interno do Governo.

Como qualquer pessoa de bom-senso, reconhece que a deterioração da confiança empresarial na política econômica é um dos fatores de “travamento” do crescimento do investimento e, por conseguinte, da economia.

Mas também entende o óbvio: que essa confiança se dá a partir da existência de uma política econômica com horizontes bem definidos, onde o varejo da administração da economia jamais ofusquem os objetivos da política econômica.

Quando não os deixamos claro, quando não o transformamos numa causa, capaz de animar os agentes econômicos, passamos, como agora, a administrar por balancetes, onde cada índice quinzenal, melhor ou pior, assume o controle de nossos pensamentos e ações.

O artigo que ele acaba de publicar na CartaCapital deixa bem claro que nos ocorreu esse mal do pensamento “in the box” dos economistas conservadores – embora muitos deles nem o sejam, do ponto de vista político e e de viés ideológico.

Não atrairemos o interesse dos investidores, do capital, porque somos ideologicamente confiáveis . O que nos torna atraentes é nosso mercado interno, como  é, por exemplo, o mercado chinês o que torna “adoráveis”  aqueles comunistas de olhos puxados.

Ele, muito mais do que qualquer “tripé macroeconômico”,  foi o responsável pelo ciclo virtuoso do “nunca antes na história deste país”.

Claro que ninguém está querendo romper com a responsabilidade na gestão da economia.

Mas, em nome dela, não se pode abolir o sonho.

Na economia, como na política, precisamos lembrar sempre que são os desejos e as necessidades do povo o que deve guiar nossos passos e, antes disso, nossas mentes.

A campanha eleitoral, também neste campo, é momento espetacular para relembrar isso e reaproximar nossos laços.

O povo precisa tanto de um governo para administrar quanto de um governo para sinalizar seu caminho.

Foi o que mudou do primeiro para o segundo governo Lula.

E deve ser o que mudará no segundo Governo Dilma.

Afinal, o segundo mandato é o último. E é nele que se define se alguém veio para governar ou para liderar."
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About Antonio Ferreira Nogueira Jr.

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Revista- WMB

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