O vexame dos coxinhas no Itaquerão


Miguel do Rosário, Tijolaço 

O Brasil acordou perplexo com o vexame perpetrado por coxinhas mal educados, que xingaram a presidente durante o jogo de estreia da Copa do Mundo. Aos poucos, porém, a perplexidade foi se convertendo em consciência de que o ódio político dessa turma ultrapassou os limites do razoável e se revelou uma doença social.

Aos poucos, aparecem cada vez mais análises afiadas sobre a crise de grosseria que acometeu os vips do Itaquerão.

Reproduzo uma que gostei bastante, do Nassif.

Antes, um tweet de outro colega blogueiro, que expressa bem os tempos difíceis que vivemos.


As vaias à Dilma e os neoflautistas de Hamelin

sex, 13/06/2014 – 13:22 – Atualizado em 13/06/2014 – 18:43

Por Luis Nassif, no jornal GGN.

Encontro um banqueiro meu conhecido após o jogo da Copa. Ficou em um dos camarotes VIPs, ao lado de personalidades como Gilmar Mendes.
Foi com a namorada ao Itaquerão. Ambos estavam impressionados com a qualidade do estádio, com a limpeza dos banheiros, com a beleza e relevância do evento. Até Lázaro Brandão, o todo-poderoso presidente do Conselho do Bradesco, esteve presente, me diz ele.

Tudo funcionou a contento, disseram-me, o trânsito (que depende da Prefeitura), o Metrô (que depende do estado), o estádio (cuja construção foi apoiada pelo governo federal). Enfim, motivo geral para espalhar pelo mundo uma imagem mais positiva do país.

Apenas um dado falhou, para vergonha de São Paulo: o nível das vaias à presidente da República.

- Não era povão. Veio das alas VIPs e foi constrangedor.
O momento mais baixo da Copa, o episódio que manchou a imagem do país no mundo partiu daquele segmento que Cláudio Lembo chama de “elite branca”. Mas, como bem observou um de nossos comentaristas, não os trate como elite. Elite pressupõe um estágio intelectual e moral superior. São Paulo tem uma elite intelectual, médica, tecnológica.

Os que se manifestaram representam apenas a selvageria empetecada, os black blocs com grife.

O caráter de um jornal é dado pela soma individual dos seus colunistas e pela linha editorial.

Hoje, o episódio foi lamentado pelos maiores cronistas esportivos, timidamente em suas colunas, mais acerbamente em seus blogs. Mas são pontos fora da curva.

A baixaria contra uma presidente da República, uma mulher digna, não mereceu condenação dos jornais, mas a celebração em suas manchetes. O grito: “Dilma vai tomar no c…” torna-se, a partir de agora, o símbolo máximo do enorme poder de que dispõe a mídia para influenciar o baixo clero da “elite branca”.

São incapazes de separar a crítica ao estilo dos ataques pessoais. Não é por nada que tornaram José Serra seu herói predileto. Qualquer coisa vale na disputa política, principalmente abrir mão de ideias e recorrer aos ataques mais baixos.

Os jornalões tornaram-se a versão moderna e adaptada do Flautista de Hamelin. O flautista levava os ratos para o rio e os afogava. Os jornais levam os ratos para o mundo – e os celebram.

Não foi por outro motivo que a parte do evento que mais impressionou a colunista social do Estadão foram alguns banheiros entupidos. Na verdade, havia pouco banheiro para a m… que jorrou dos camarotes, estimulada pelos neoflautistas de Hamelin."
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About Antonio Ferreira Nogueira Jr.

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Revista- WMB

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1 comentários:

Anônimo disse...

Não é por nada que tornaram José Serra seu herói predileto?
Você tá de brincadeira né?
Já conversou com algum paulista?

A Dilma não é bem vista aqui tanto quanto o Serra.
O PT não é bem visto tanto quanto o PSDB.

Os xingamentos para a Dilma os quais vi pessoalmente(pois estava no estádio) não vieram apenas da área VIP e qualquer um que estava lá pôde observar isso.