Para os que têm complexo de “vira-latas” ambiental no Brasil


Fernando Brito, Tijolaço 

"É pouco.

Ninguém é idiota de achar que não se atenta, e muito, contra o meio-ambiente no Brasil.

E que é só dar uma cochilada que a turma da motosserra volta.
Mas que não é lúcido dar conversa ao pessoal que lá do mundo desenvolvido – e devastado – grita querendo que o Brasil não use racionalmente suas riquezas.

E que acha que deveríamos ser o “parque ecológico” de quem destruiu sua própria natureza para se tornar rico e, sobretudo, perdulário em recursos naturais.

Devemos preservá-los  para nosso povo poder viver melhor e usá-los por mais e mais tempo.

Deu no caderno especial da Folha, sem direito sequer à primeira página e com muito menos destaque que as críticas “marinistas”.

“(…) a redução do desmatamento da Amazônia já trouxe uma grande contribuição no combate à mudança climática, mais do que qualquer outro país na Terra. Graças a esse feito, o Brasil pode estar certamente muito orgulhoso”.

Não foi a Dilma quem disse.

Foi a Union of Concerned Scientists (União de Cientistas Preocupados, numa tradução livre), uma respeitadíssima instituição americana.
E sem economizar elogios ao governo brasileiro.

No release que acompanha o relatório sobre casos de sucesso no combate ao desmatamento lançado ontem, as razões ficam claríssimas.

Dois dos mais fortes apoiantes iniciais do conceito ( de redução de emissão de gases ) foram a Noruega, que prometeu US $ 2,5 bilhões para o esforço, e do Brasil, que anunciou um plano nacional para reduzir a sua taxa de desmatamento de 80 por cento até 2020 (em comparação com a taxa média ao longo da década 1996-2005) e mais tarde fez parte deste compromisso de seu direito interno. 

Entre 2005 e 2010, o Brasil quase atingiu o seu objetivo, uma década antes do previsto. Dados de 2009-2010 mostrou que a área do Brasil do desmatamento, que em média 19.508 quilômetros quadrados (km2) por ano durante a década de base de 1996-2005, caiu 67 por cento, para apenas 6.451 km2. 

Análise da UCS dessa mudança, através de uma fórmula para a conversão de área desmatada para as emissões de CO2 com base no trabalho do instituto de pesquisa Imazon, estima uma redução na poluição do aquecimento global no Brasil de cerca de 1 bilhão de toneladas. 

Noruega comprometeu US $ 1 bilhão para compensar o Brasil por sua reduções de emissões; o primeiro pagamento de US $ 110 milhões, foi feita em 2009. 

(…) Assim, a cooperação dos dois países já atingiu uma redução na poluição do aquecimento global comparável às reduções que tanto os Estados Unidos ea Europa União só se comprometeram a atingir até 2020. 

(…)o que é ainda mais impressionante é que o Brasil tem alcançado este sucesso, aumentando simultaneamente a produção agrícola e reduzir significativamente a fome e a pobreza.

Marina Silva não precisa ficar com ciúmes, pois o relatório também a elogia e traz até uma simpática fotografia dela e também menciona as reservas criadas por FHC.

Mas credita “ao apoio político de Lula” a ferramenta essencial na política de combate ao desmatamento e à decisão governamental de assumir compromisso espontâneos com a redução de emissão gases-estufa, anunciada por Dilma Rousseff na Conferência Mundial do Clima em Copenhague, a COP-15, em 2009.

Aliás, criticada por Marina Silva e José Serra, que queriam mais, naquela linha de que o ótimo é o melhor inimigo do bom."
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About Antonio Ferreira Nogueira Jr.

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Revista- WMB

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