Antes tarde do que nunca. Campanha de Dilma critica monopólio da Globo


Miguel do Rosário, Tijolaço  

"Bem, ao menos uma coisa diferente está acontecendo nesta eleição. Pela primeira vez, em muitos anos, o monopólio da Globo veio para o centro do debate político.

O site Muda Mais, principal veículo da campanha da presidente na internet, publicou um texto em que explica porque a presidente não pôde participar da entrevista no Jornal da Globo.

Explicação é que Dilma está dando entrevistas para vários outros veículos de mídia. A presidente não quer ficar só dando entrevistas para veículos das Organizações Globo.

Uma pena que a presidenta não tomou essa atitude antes.

Mas antes tarde do que nunca.

*

Campanha de Dilma critica a Globo e diz não ao monopólio do debate público


do Muda Mais

A Globo e o monopólio do debate público: não concordamos.

Formado por diversas rádios, TVs, jornais e revistas Brasil afora (somente na TV, a Globo possui 122 emissoras sendo 117 destas afililadas (link is external)), o Sistema Globo de Comunicação parece não aceitar muito bem recusas sobre a participação de candidatos em sua bancada.

Foi o que aconteceu nesta terça-feira (02/09) no Jornal da Globo, jornalístico da madrugada, quando a presidenta e candidata a reeleição Dilma Rousseff não aceitou participar da série de entrevistas com candidatos à Presidência da República.

Inconformados (entendemos, todos querem a Dilma) os apresentadores William Waack e Cristiane Pelajo exibiram ao público as perguntas que fariam à presidenta de maneira um tanto desafiadora, como se tivessem sido ultrajados.

Faz parte de uma democracia aceitar ou negar conceder entrevistas.
O Sistema Globo de Comunicação – repetimos, formado por diversas rádios, TVs, jornais e revistas pelo Brasil – coloca todo o seu aparato de veículos para demandar pedidos de entrevistas, o que é legítimo. O entendimento do comitê da candidata é o de que é preciso equilibrar os atendimentos para poder contemplar todos os grupos de comunicação e tipos de mídia. Afinal, não está nas mãos de um único grupo levar o debate político ao público.

Vamos analisar.

O Comitê de Campanha da candidata Dilma Rousseff atende a uma média mensal de 75 demandas do Sistema Globo de Comunicação, o que equivale a um total de 25% de todas as demandas.

Foram 226 demandas da Globo, das 908 atendidas, advindas de veículos nacionais entre junho e agosto.

Foram feitos, pelo Sistema Globo, 14 pedidos de entrevista com a candidata entre junho e agosto. Entre os veículos demandantes estavam O Globo, CBN, Extra, Revista Época, Marie Claire, Revista Quem. O mês de julho concentrou o maior número de solicitações: foram nove. Em junho foram registrados dois pedidos e em agosto três.

É importante dizer que a candidata já concedeu entrevista exclusiva à Globonews (11 de julho) e ao Jornal Nacional (principal programa jornalístico do principal veículo do grupo) e participará do debate produzido pela TV Globo. Aliás, a candidata já participou dos debates da Band e do SBT e irá ainda ao debate promovido pela TV Record.

Dilma Rousseff, além de candidata, é a atual presidenta do Brasil, o que obviamente a faz trabalhar muito. É preciso governar, tomar decisões, resolver problemas da máquina pública e ao mesmo tempo ser candidata. Se Dilma fosse atender todos os pedidos da Globo, ela teria que dedicar um dia por semana para a empresa.

Além do mais, é preciso elencar prioridades. Dilma esteve, como já dissemos aqui, na bancada do maior jornal da emissora, o Jornal Nacional, no dia 18 de agosto. Ajudou, inclusive, a aumentar a audiência do JN: foram 28 pontos no Ibope neste dia.

A verdade é que Dilma tem concedido entrevistas como nenhum candidato à reeleição deu antes. E tem feito isso atendendo a todos as redes e sem privilegiar grupos específicos. É de se estranhar que um grupo de comunicação demonstre irritação por não ver todas as suas inúmeras demandas atendidas.

O Muda Mais tem memória e deixa uma perguntinha no ar: por que a Globo – que agora fica tão chateada com a não participação de uma das candidatas em um dos seus inúmeros programas – não promoveu debates presidenciais em 1998, ano da reeleição de FHC? Por que será?"
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About Antonio Ferreira Nogueira Jr.

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