Levem a Moody’s para ver um mercado otimista no Brasil: o mercadinho de Paraisópolis.


Fernando Brito, Tijolaço  

"Enquanto aqui nós nos preocupamos com os humores dos senhores das agências de classificação de riscos (talvez haja um “s” sobrando na palavra), a repórter Carolina Garcia, do IG, foi à favela de Paraisópolis, ali ao lado do chique bairro paulistano do Morumbi, ver como andavam por lá “os mercados”.

Os mercados, no caso, da Rede Nova Central, de um rapaz que, aos 28 anos, é dono de cinco mercadinhos na favela.

Clayton Medina, há cinco anos, pegou R$ 70 mil emprestados a um amigo e abriu a primeira loja.

“Já nos primeiros 30 dias tive lucro. Sete meses depois, contratava dez funcionários e comprava uma segunda loja. Continuei crescendo e comprei uma nova loja a cada ano”

Hoje ele tem aproximadamente cem funcionários – quase todos moradores de Paraisópolis, conta a repórter.

E não é para vender tubaína.

““Os moradores são humildes, sim, mas gostam de coisa boa. Antes, você só encontrava produtos de segunda ou terceira linha por aqui”, explica o micromegaempresário.

A matéria conta outras histórias, de imigrantes nordestinos que vão muito bem, obrigado, nos seus já nem tão pequenos negócios, que os grandes não quiseram. Há mazelas? Sim, muitas: segurança, informalidade, falta de serviços urbanos.

Mas eles estão mostrando o caminho que as elites brasileiras sempre recusaram: o crescimento da economia pela inclusão e o consumo, de um lado, enquanto o Estado (e porque só ele faz isso, no Brasil) investe na infraestrutura pesada.

Que nada, bom mesmo é uma taxa Selic, com um belo superávit para pagá-la e um câmbio “legal” para importar!

Os homens da Moody’s e a equipe da Standard & Poors que andaram por aqui nem sabem o que é Paraisópolis, muito menos o que se passa por lá.

É como a história que ouvi de Leonel Brizola sobre um diálogo com Samora Machel, o libertador de Moçambique, quando ele lhe perguntou quantos eram os moçambicanos. Samora respondeu que, nas (poucas) cidades, eram algo como seis ou sete milhões, sem contar os elefantes.

- Elefantes?

- É, Brizola, há milhões de moçambicanos que são como elefantes, vivem isolados na selva e só se percebe quando saem de lá e aparecem nas cidades, tocados pela fome e pela raiva."
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