República do Paraná tenta cartada final


Miguel do Rosário, Tijolaço 

"Com as masmorras de Sergio Moro arrombadas pela decisão de Teori Zavascki de permitir prisão domiciliar para os empreiteiros, os procuradores do Paraná, epicentro de uma conspiração judicial que visa derrubar o governo e/ou destruir o Partido dos Trabalhadores, tentam sua cartada final.

Delações premiadas devem ser mantidas em segredo até serem provadas, por razões óbvias: para não permitir que uma pessoa sob suspeita manipule as investigações. No caso de um processo altamente político, para que não manipule a opinião pública.

Aqui não apenas as delações são vazadas, sempre seletivamente, como agora até mesmo aquelas que ainda não foram assinadas pelo delator chegam à imprensa, e sempre no momento certo!

Entretanto, no caso em questão, a manipulação vem da própria Procuradoria, de um núcleo conspirador, fortemente partidário, que vem operando politicamente desde a Ação Penal 470.

A “delação” do presidente da UTC, Ricardo Pessoa, sequer foi confirmada em juízo, visto que ele não celebrou nenhum acordo com a Procuradoria. Ou seja, a Procuradoria delatou o próprio (suposto) delator!

Mas o estrago já está feito, como era o objetivo. Provando ou não provando, a condenação política está dada.

Se você ler com atenção, verá a inconsistência da delação (que sequer foi confirmada pelo próprio empresário):

“Pessoa descreveu de forma vaga sua conversa com Edinho, mas afirmou que havia vinculação entre as doações eleitorais e seus negócios na Petrobras.”
Descreveu de forma vaga? Havia vinculação entre doações eleitorais e negócios na Petrobrás? Claro que havia!

Pode-se ver tudo pelo lado criminal, ou pode-se entender, como fazem inclusive os que defendem as doações empresariais (como a Globo, por exemplo) que os empresários querem apostar em governos/partidos dispostos a fazer os investimentos públicos que interessam a seus negócios.

Nos governos tucanos, os investimentos em construção civil e na indústria do petróleo eram pequenos, e nos governos petistas se multiplicaram.

Os investimentos da Petrobrás passaram da ordem de alguns bilhões, para centenas de bilhões de reais ao ano, e foi isso que a levou a descobrir o pré-sal e se tornar uma das maiores produtoras de petróleo do mundo.

Qualquer empresário faz doação pensando em seus negócios no futuro, e exatamente por isso a OAB entrou com uma ação de inconstitucionalidade contra doações empresariais; votação esta que foi interrompida autocraticamente por Gilmar Mandes, o ministro tucano, que pediu vistas há um ano e enterrou o assunto, com apoio da grande mídia.

Este era, desde o início, o objetivo da República do Paraná, forçar os empreiteiros a falar que doaram para a campanha do PT, em especial a da Dilma, não porque sempre doaram para partidos políticos, mas por “temer prejuízos em seus negócios”.

Os procuradores já deixaram claro: na falta de elementos para criminalizar o PT, querem transformar doações legais em crimes. E assim dariam xeque-mate no PT.

O PT comete crime quando faz caixa 2, como aconteceu no mensalão. E também comete crime quando faz caixa 1.

Ou seja, é melhor o PT desistir de fazer política.

O jogo mudou bastante. Com a soltura dos empresários, a mudança do depoimento de Paulo Roberto Costa, e a delação que ainda não houve de Ricardo Pessoa, da UTC, o peso político do crime sai das costas dos empresários para ser jogado inteiramente nas costas do PT.

Na matéria de hoje, é interessante como a Folha e os procuradores, e estes não escondem sua intimidade com o jornal, tentam derrubar, com uma só paulada, todos os símbolos e trunfos do PT: a delação pega Dilma, reenergizando o impeachment; pega Haddad, criando dificuldades para sua campanha de reeleição em 2016; pega Lula, para detonar sua candidatura em 2018; e pega o PT como um todo, através de seus dois tesoureiros, o do partido e o da campanha.

Pegar Edinho Silva, hoje o homem com a chave do cofre da publicidade oficial, tem uma função duplamente especial. Intimida-o, para continuar dando dinheiro à grande mídia, e envolve a campanha da presidenta Dilma.

Ah, e ainda põe Dirceu na roda novamente, como convém. Sempre tem que ter o Dirceu na história!

É um saladão para todos os gostos! Nunca se viu uma reportagem tão curta ser tão eficaz!

E pode ser também uma espécie de golpe de misericórdia num PT e num governo que ainda não aprenderam a se defender; que, apesar da experiência do julgamento do mensalão, não construíram uma estratégia política conjunta e eficiente para combater as conspirações judiciais, hoje a principal arma da direita para destruir seus adversários.

Mas pode ser também a última bala no cartucho do golpe da Lava Jato. Depois disso, não terão mais muito o que vazar, e as ilegalidades estarão mais expostas do que nunca."
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About Antonio Ferreira Nogueira Jr.

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Revista- WMB

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