Mercadante: 2014 ainda não acabou para o PSDB


"O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, reconheceu, em entrevista, que o governo federal errou ao não dimensionar corretamente a crise internacional; no entanto, apontou que um dos motivos do quadro atual é a tensão política; "no fundo, 2014 é um ano que não acabou para a oposição, nos fizeram entrar no pós-eleição no terceiro turno continuado", diz ele; "Eu participei da coordenação das últimas sete eleições presidenciais, perdi três. A oposição perdeu quatro sucessivas, 12 anos de derrota. Não foi fácil para gente e não é fácil para eles. Temos uma responsabilidade imensa de preservar os valores democráticos, as instituições. Significa reconhecer a vontade da maioria. Acabou a eleição, acabou"; ele também defendeu o ministro Joaquim Levy e a lealdade do vice Michel Temer; confira

Brasil 247

Em entrevista aos jornalistas Valdo Cruz, Natuza Nery e Marina Dias (confira aqui), o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, apontou a crise política, como um dos principais motivos da crise atual.
 
"No fundo, 2014 é um ano que não acabou para a oposição, nos fizeram entrar no pós-eleição no terceiro turno continuado", disse ele. "Eu participei da coordenação das últimas sete eleições presidenciais, perdi três. A oposição perdeu quatro sucessivas, 12 anos de derrota. Não foi fácil para gente  e não é fácil para eles. Temos uma responsabilidade imensa de preservar os valores democráticos, as instituições. Significa reconhecer a vontade da maioria. Acabou a eleição, acabou."

No mesmo depoimento, ele reconhece que o governo não soube dimensionar corretamente a crise internacional. "Se você analisar o histórico da crise desde 2009, o impacto é desigual. Atingiu toda a economia mundial e uma de suas principais dimensões são as finanças públicas. Mas eu diria que, no segundo semestre de 2014, atingiu fundamentalmente os países emergentes, que tinham sido os menos atingidos no início por causa dos preços das commodities", afirmou. "Acho que poucos se deram conta da velocidade da queda das commodities no fim do segundo semestre de 2014. Estávamos em intensa campanha, debatendo, viajando, e, quando chegou no fim da campanha, o mundo era outro. Isso impactou muito as finanças públicas. Fomos além do que podíamos na política anticíclica, na desoneração de impostos, no esforço de manter os investimentos, de manter os gastos."

Em relação à Lava Jato, ele apontou prós e contras. De um lado, a melhora na governança das empresas. De outro, o impacto negativo no PIB. "Vai melhorar a governança das empresas, mudar o padrão de relacionamento com as estatais. Tem uma parte de recuperação de ativos que foram desviados na Petrobras, mas tem um impacto econômico".

Mercadante defendeu, ainda, o ministro Joaquim Levy e a política de ajuste fiscal. "A presidente deixou claro que o Joaquim faz parte do time, tem dado imensa contribuição. Ele tem uma virtude que acho muito importante: cuida das finanças com o mesmo rigor com que cuida de suas filhas. E é muito importante neste momento dizer que o ajuste fiscal tem impacto econômico mas não é a razão das nossas dificuldades. Traz sacrifícios? Traz. Mas é a ponte para um novo ciclo de crescimento. O problema da desaceleração da economia não é o ajuste."

Em tom conciliador, ele apontou a lealdade do vice Michel Temer e sugeriu diálogo com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "O Temer tem um profundo compromisso com a democracia. O que entendo do que ele quis dizer é que os governos ganham e perdem popularidade", afirmou. Sobre FHC, que propôs a renúncia de Dilma como 'gesto de grandeza', Mercadante disse que "pela história dele, acho que passa e voltaremos a dialogar."
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