Cunha, PSDB e a cartada golpista

Altamiro Borges, Blog do Miro


Em seu perfil no Facebook, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) postou nesta segunda-feira (12) uma mensagem bastante preocupante. Sempre bem informado e com posições críticas ao governo federal, ele adverte que a marcha golpista para derrubar a presidenta Dilma Rousseff segue em curso. O perigo é iminente e grave. Vale conferir alguns trechos do seu alerta:
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A oposição de direita (PSDB e DEM), plutocrata e sobretudo hipócrita, fez jogo de cena, emitindo nota em favor do afastamento de Eduardo Cunha (formalmente denunciado por crimes de corrupção e lavagem de dinheiro) da presidência da Câmara... A nota do PSDB e do DEM não passa, entretanto, de um um jogo de cena para se safar ante o julgamento da opinião pública esclarecida e crítica que se informa por outras fontes que não – ou rejeita fontes suspeitas como – Veja, Jovem Pan, Jornal da Globo, GloboNews e a coluna de Merval Pereira em O Globo.

(...) Tanto o PSDB quanto o DEM continuam apoiando subterraneamente Eduardo Cunha e conspirando contra a presidenta Dilma que - apesar dos equívocos na condução do governo, da adoção de medidas neoliberais que prejudicam trabalhadores e beneficiam banqueiros (política demo-tucana em sua essência!) e do envolvimento de petistas no esquema de corrupção na Petrobras - está livre de qualquer suspeita ou acusação dos crimes que pesam tanto sobre Cunha quanto sobre medalhões do DEM e do PSDB.


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O alerta do combativo Jean Wyllys, que neste ano voltou a ganhar o prêmio de melhor parlamentar conferido pelo site Congresso em Foco, merece toda a atenção. Não se trata de jogo de cena de algum petista. Ele inclusive é confirmado por algumas notinhas publicadas na própria mídia oposicionista. A coluna Painel da Folha registra que "uma reunião entre os deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Rodrigo Maia (DEM-RJ), neste sábado [10], no Rio de Janeiro, definiu o script do processo de impeachment". Ela até dá detalhes da conspiração golpista:
"No encontro, ocorrido pouco antes de a oposição divulgar nota pedindo a renúncia do presidente da Câmara, ficou acertado que o peemedebista pode acatar sumariamente um pedido de impeachment contra Dilma Rousseff desde que este se concentre em irregularidades cometidas em 2015. O roteiro inicial previa que o presidente da Câmara arquivaria o pedido de impeachment formulado por Hélio Bicudo e a oposição, então, ingressaria com um recurso no plenário. Mas, conforme o plano discutido no encontro, o PSDB anexará nesta terça à manifestação do jurista informações de que as pedaladas continuaram este ano, conforme acusação do procurador do Ministério Público no TCU".
"Cunha, então, indeferirá quase todos os requerimentos de impeachment pendentes, deixando apenas o pedido de Bicudo, aditado pela oposição, para analisar depois, possivelmente até o fim da semana. Em conversas reservadas, o presidente da Câmara tem dito que não fará 'nada que não se justifique tecnicamente'. Todos negam ter tramado a deposição da petista no encontro de sábado. Oficialmente, a oposição diz que, 'por uma questão de gentileza', procurou Cunha para informá-lo previamente sobre a nota que pediria o seu afastamento da Câmara". Alguém acredita nesta conversa fiada?
Eduardo Cunha está desesperado e fará de tudo para desviar as atenções. Ele teme ser cassado e até preso em função da descoberta de suas contas secretas na Suíça. Segundo revelou nesta segunda-feira o jornalista Ricardo Noblat, que antes blindava o lobista que trama depor Dilma, o procurador-geral da República já estuda pedir a prisão do presidente da Câmara Federal. Em sua coluna "Quem cai primeiro", ele garante que "Rodrigo Janot está pronto para denunciar Eduardo Cunha ao Supremo Tribunal Federal e pedir sua prisão preventiva". Daí a pressa do lobista e da oposição demotucana!
Diante desta possibilidade, o lobista já estaria articulando a sua reação. "O segundo na linha direta de sucessão do presidente da República resistiria à tentação de usar os poderes do cargo para defender-se? Uma das maneiras de proceder assim seria facilitar a queda de Dilma. Por que não facilitaria?", afirma o blogueiro da Globo, que parece torcer por este saída. Em outro trecho, Ricardo Noblat até crítica a nota que prega o afastamento do presidente da Câmara. "Falsa, como uma nota de três reais, a nota distribuída no último sábado pela oposição". Mas observa: "A oposição precisa da sua boa vontade [de Cunha] para derrubar Dilma. Sem a sua boa vontade, tudo será mais difícil e demorado".
Como se observa, a tramoia golpista está em curso e num ritmo bastante acelerado. Os próximos dias definirão o futuro da democracia no Brasil. As esquerdas políticas e sociais precisarão mostrar muito espírito unitário e forte capacidade de mobilização para derrotar Eduardo Cunha, o PSDB e a mídia. O jogo será pesado e envolve poderosos interesses e atores medíocres, como apontou o renomado intelectual Rogério Cezar de Cerqueira Leite em artigo publicado na Folha. Vale conferir:
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A vingança apocalíptica

Estão juntas forças extremas do país, que em tempos mais serenos ficariam em campos opostos. Isso porque elegeram o PT e Dilma como inimigos

Hoje estão em consonância no Brasil forças extremas da sociedade, que em tempos mais serenos ficariam em campos opostos. O PSDB abraça os descontentes chantagistas do PMDB, enquanto o vampiresco Eduardo Cunha e sua horda de zumbis dão beijocas no sanguinário deputado Carlos Sampaio.

Hoje a reacionária alta burguesia paulista faz afagos na pelega Força Sindical, enquanto a elite janota do Rio de Janeiro se aconchega aos plebeus da zona norte.

Hoje dão as mãos o direitista "O Estado de S. Paulo", a minha querida quase imparcial Folha, o oportunista "O Globo" e a histérica revista "Veja". Hoje se alinham para panelaços a população alienada e a estudantada militante.

Tudo isso porque elegeram um inimigo comum, o PT, e sua representante mítica, Dilma Rousseff. Ah, como é reconfortante encontrar um bode expiatório, alguém que, como Cristo, acolha todas as culpas, embora a contragosto. Ah, como é gostoso ter um inimigo comum.

É pena que a presidente Dilma Rousseff seja tão obstinada, tão voluntariosa. É pena que seja ela tão patriota, tão irredutivelmente profissional. Pois, o que aconteceria se inopinadamente esse inimigo comum fosse removido?

Apenas por razões de ordem acadêmica, vamos supor que a presidente Dilma decidisse abdicar. Vocês já imaginaram a balbúrdia que se instalaria no Brasil? Sem um inimigo comum, um bode expiatório geral? Como iriam comportar-se esses atores tão individualistas, tão egocêntricos da política nacional?

Imaginemos apenas que, se não para manter sua dignidade, mas apenas por macabra vingança, a presidente Dilma Rousseff resolvesse passar umas longas e merecidas férias em Côte d'Azur, na França.

José Serra mandaria mísseis "exocets" e outros petardos para Belo Horizonte. Eduardo Cunha mandaria seu exército pentecostal aniquilar o estarrecido Michel Temer, que, acossado de todos os lados e sem a têmpera de uma Dilma, não resistiria muito até desmoronar.

A mídia, confusa, já não saberia a quem hostilizar. Eduardo Cunha? José Serra? Fernando Henrique Cardoso? O PMDB, acostumado a aderir ao mais forte, ficaria sem orientação, sem rumo.

Os "pit bulls" da oposição – Rodrigo Maia, Carlos Sampaio, Álvaro Dias, Aloysio Nunes Ferreira –, viciados e sem ter a quem morder, passariam a se mastigar entre si ou passariam a atacar outros aliados? E quem governaria essa Câmara prenhe de cobiças e de extorsões?

FHC disse que é inoportuno o impeachment da presidente Dilma porque não há lideranças adequadas. Talvez o que ele queira dizer é que haja muitos candidatos medíocres para a substituição de Dilma. Com isso, agride seus correligionários Serra e Aécio Neves e outros opositores dos demais partidos, antes mesmo de qualquer processo de impedimento da presidente.

Ah, que pena que Dilma não é vingativa. Que pena, mas que sorte!"
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