Moro vai à feira da política com prisão de Cabral


Por Fernando Brito, Tijolaço

Que  Sérgio Cabral é um retrato da esculhambação gulosa do PMDB todos sabem.

Mas é no mínimo curiosa a explicação do juiz Sérgio Moro para chamar para si a prisão do ex-governador, decretada por um outro juiz, caso no qual ao juiz de Curitiba só cabe ter compartilhado informações dadas em delações premiadas.

Dizer, como regista O Globo que a necessidade da  prisão “faz-se ainda mais presente diante da notória situação de ruína das contas públicas do governo do Rio de Janeiro”, francamente, é uma inovação política da lei penal.

Aliás, se fosse Moro quem tivesse sozinho decretado a prisão -a ordem de prisão do juiz Marcelo Bretas, do Rio, é muito mais sólida –  com este argumento, Cabral estaria solto ainda hoje, por habeas corpus, pois não existe, juridicamente, prisão baseada em clamor público.

As conexões de Cabral com obras da Petrobras, segundo os próprios argumentos de Moro, não são claras, conforme transcreve o jornal e eu grifo:

“Mesmo tratando-se de obra da Petrobras, houve envolvimento do governo do estado do Rio de Janeiro no empreendimento, inclusive diretamente do então governador Sérgio Cabral, como se depreende, por exemplo, de mensagens eletrônicas trocadas por ele com o então diretor de abastecimento, Paulo Roberto Costa. O conteúdo delas não é ilícito, mas confirma que ele, Sérgio Cabral, estava envolvido, circunstancialmente, no empreendimento, o que é compreensível em vista da dimensão”, escreveu o juiz.

Ora, se o conteúdo das mensagens não é ilícito e envolvimento circunstancial, ao que se saiba, não se sustentariam, para um juiz normal, as razões para uma decretação de prisão.

Mas, como os desembargadores  que reexaminam as decisões de Moro já decidiram que a Lava Jato “não precisa seguir o regramento genérico”, nunca se sabe…
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