Temer e a “retomada Porcina”, a que se foi sem nunca ter sido


Por Fernando Brito, Tijolaço -

Sabe aquela retomada econômica que estava vindo junto com Michel Temer, que estava dando seus sinais, que ia chegar logo, mas não apareceu?
Discretamente, os jornais desta sexta-feira dizem que ela não vem mais.

Na Folha, Valdo Cruz informa que “além de jogar a toalha sobre a volta do crescimento no final deste ano, a equipe econômica do governo Temer já reduziu também sua previsão em relação a 2017”, baixando-a de 1,6% para 1% de expansão do PIB. O que, ante um ano em que a retração deve chegar a 3,5%, é 1% sobre o nada.

Aos jornalistas Claudia Safatle e Cristiano, do Valor,  o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles – aquele que dizia anteontem que o Brasil estava preparado para a volatilidade – diz que mudou o cenário que havia traçado inicialmente para o desempenho da economia em 2017.  E confirma a previsão da Folha: “Devemos começar a crescer, mas pouco, 1%, algo por aí”.

Será? As apostas econômicas do Governo vêm caindo e caindo estrepitosamente.

A primeira foi a tal “enxurrada de capital estrangeiro” que viria com o impeachment de Dilma, lembra?

Ninguém sabe, ninguém viu, a não ser no otimismo dos jornais.

A Bolsa se valorizou em pontos, com dinheiro trocando de mãos, mas seu volume de negócios pouco cresceu, até os dois últimos dias, quando as vendas fortes o fizeram quase dobrar.

Uma queda significativa nos juros – baixar 0,25% juros que estavam em 14,25% não é – fica praticamente descartada com a perspectiva sólida de aumento dos juros americanos em ritmo mais rápido que o previsto. Se vier outra redução de 0,25% já será muito, na ótica do mercado.

Da queda na produção, no comércio de bens e mercadorias e dos serviços, diante dos números que todo mês vêm à tona, não é preciso falar.  O Natal dos cortes e dos servidores públicos sem 13° (e os que vão recebe-lo endividados ou com as barbas de molho, vendo a dos vizinhos arderem) promete ser pior que o presente de grego de Levy, no ano passado.

O comércio exterior, que vem acumulando saldos, também não é promissor. Mesmo positivo no saldo, a corrente comercial do país caiu muito e tende a cair mais diante da perspectiva de políticas protecionistas nos EUA, com Trump.

Os gastos públicos – sem deixar de bater recordes de aumento do déficit a toda hora, pela queda de receita – não vão acelerar, mas frear a economia.
Isso não é catastrofismo, são dados da realidade econômica.

Sobre ele, despeje o azeite ardente da Lava Jato prometendo delações atômicas e a agora muito mais difícil exclusão de Michel Temer do processo de cassação atucanado que corre no TSE.

O “dream team” da economia parece estar se tornando isso mesmo, a equipe dos sonhos.

Porque a realidade é outra.
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