Mistério da semana: quem parou os vazamentos?


Por Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho -

Perguntar não ofende: alguém poderia explicar por que pararam os vazamentos das delações premiadas justamente na semana em que 77 delatores da Odebrecht prestaram depoimentos no Ministério Público Federal, a começar pelos seus donos, Emílio e Marcelo Odebrecht. Quem teve este poder?

De uma hora para outra, a imprensa deu um cavalo de pau na pauta e passou a tratar de assuntos econômicos. Delações saíram das manchetes dos jornais e das capas de revistas. Para mudar de assunto, o Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, declarou guerra à maconha (veja post anterior).

O misterioso fenômeno aconteceu depois que o presidente Michel Temer enviou ofício ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedindo providências para evitar a divulgação "ilegítima" de delações protegidas por sigilo, advertindo que estes vazamentos podem levar à anulação do processo e estavam prejudicando o bom andamento do governo.

Não se tem notícia da resposta de Janot ao questionamento de Temer, mas o fato é que a partir daí só houve vazamento da delação do executivo Márcio Faria da Silva, revelado  no site da revista Veja.

No acordo de delação, Silva relata que o presidente participou de uma reunião, com a presença de Eduardo Cunha, em que se discutiu um repasse de recursos da Odebrecht para o PMDB.

Prática usual desde o início da operação Lava Jato, em 2014, os vazamentos pela imprensa de delações premiadas de investigados, antes de serem homologadas pela Justiça, nunca haviam causado tanta reação.

O caldo entornou com o vazamento da primeira delação premiada do pacote da Odebrecht, no fim de semana passado.

Em seu depoimento, o executivo Claudio Melo Filho, ex-vice-presidente da empreiteira, denunciou o presidente da República, a cúpula do governo e do PMDB, além das principais lideranças políticas de todos os grandes partidos, pelo recebimento de recursos via "caixa dois" para campanhas eleitorais.

Se os investigadores do MPF e da PF descobrirem quem teve o poder de tampar os vazamentos de uma hora para outra, poderão também chegar aos responsáveis pela operação vaza-delações que ajudou a derrubar o governo anterior.

Devem ser os mesmos.

Em Curitiba, Eduardo Cunha continua à espreita esperando a sua vez de botar a boca no mundo.

Bom domingo a todos.

Vida que segue.
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